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Não Há Gente Como a Gente

Um blogue. Um podcast. Um par de palermas.

Não Há Gente Como a Gente

Um blogue. Um podcast. Um par de palermas.

Os barulhos que parecem acontecer mas que, afinal, eram só na televisão.

Estamos na sala, a ver televisão enquanto coçamos uma parte qualquer do corpo. Tocam à campainha, mas, quando vamos lá ver, não é ninguém. Era na televisão.

 

Depois, toca o telefone. Pedimos à nossa cara-metade que atenda, porque já nos levantámos uma vez e as costas já não aguentam tantos movimentos pendulares. Mas as relações já não são o que eram, e ela diz-nos que devemos estar malucos, porque o telefone não tocou. Era na televisão.

 

Coincidência das coincidências, toca o telemóvel! Podíamos jurar que era o nosso toque de mensagens e tudo. Está enfiado num buraco qualquer do sofá, por isso ainda demoramos a encontrá-lo. Quando desbloqueamos o ecrã, ninguém nos contactou. Era na televisão.

 

A dada altura, ouvimos um cão a ladrar. Podíamos jurar que não tínhamos nenhum cão, mas, ainda assim, vamos à janela dar uma vista de olhos ao quintal. Confirma-se, não há lá cão nenhum. Era na televisão.

 

Pouco depois de nos sentamos, ouvimos alguém a gemer no quarto. Como já cometemos o mesmo erro vezes suficientes, não acreditamos que possa ser a nossa cara-metade metida com um elemento da vizinhança, e ficamos no sofá, porque só pode ser na televisão.

 

Por fim – e visto tudo o que havia para ver na televisão –, vamos para a cama.

Mas de lado, porque não cabemos na porta com o tamanho dos cornos, dignos de aparecer na televisão.