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Não Há Gente Como a Gente

Um blogue. Um podcast. Um par de palermas.

Não Há Gente Como a Gente

Um blogue. Um podcast. Um par de palermas.

Insónias dos anos 80 mas no novo milénio.

– João?

 

– Sim, Leonardo?

 

– Já estás a dormir?

 

– Não, ainda não. Estou com um bocado de calor.

 

– É normal, sabes… O mundo está mais quente, cada vez mais. Estamos a bater recordes de temperatura de décadas e séculos passados. Nunca antes na história da humanidade vimos estes níveis de CO2 na atmosfera por causas não-naturais. E esta camada de neblina que se gerou à volta do planeta impede o calor de sair, e por isso temos também que nos preocupar com o degelo, que, além de fazer aumentar os níveis de água do mar, inundando vários locais costeiros um pouco por todo o mundo, também contribui ainda mais para o aquecimento global e para a desestabilização dos ecossistemas. E nem me faças falar nos animais que sofrem devido ao…

 

– Eh pá, ó DiCaprio! Se soubesse que era para recitares a matéria toda da aula de Ciências, não te tinha convidado para esta festa do pijama.

 

– …

 

– …

 

– …

 

– Vou dormir para a sala, que lá está mais fresquinho.

 

– Ok. E eu vou ser actor, para ver se qualquer dia alguém me ouve.

Mini-contos (#11)

Às vezes o pior das viagens é a sirene. Para tudo o resto há solução: para as dores há a anestesia, para a falta de ar há a máscara de oxigénio, para a ansiedade há os comprimidos. Mas para a sirene, essa puta ensurdecedora, não há solução. Afinal, o carro tem de passar na rua e mostrar às pessoas que está com pressa, senão só Deus sabe quando chegaríamos lá.

 

Estar lá também não é o fim do mundo. Quer dizer, pelo menos por enquanto. Os funcionários são simpáticos, o edifício em si é relativamente novo e até a comida, apesar do que dizem, não é má de todo. Pelo menos é melhor do que as papas que tenho comido nos últimos meses.

 

O pior continua a ser as sirenes. Ainda as oiço, lá de vez em quando. Não sei se serão novos doentes a chegar ou se estarão apenas na minha imaginação, mas quase me fazem dar em maluco.

 

E era só o que me faltava, depois disto tudo… Ficar também maluco.